A gente quase não lançou esse EP. Por quase um ano ele morou em rascunhos e arestas, e um de nós sempre achava um motivo pra esperar mais um pouco — uma nota desafinada, o chiado que dá pra ouvir no fundo de tudo, a vontade de regravar a voz, de alinhar as expectativas com os produtores e músicos envolvidos. Mas essa demora, e todas essas perguntas, foram essenciais pra gente encontrar a nossa filosofia de trabalho.
No primeiro dia em que pisamos no Trampolim Estúdio e conhecemos o complexo, junto com o Tori Estúdio, ficamos maravilhados. É um lugar ímpar, cheio de histórias, que te convida a criar. O Tori guarda um acervo de sintetizadores capaz de deixar qualquer amante de música boquiaberto. Só de estar ali já era uma grande experiência — o lugar, por si só, deixa uma marca na gente. O que não podíamos imaginar é que teríamos a chance de mostrar as nossas músicas.
À frente do Tori Estúdio — que antes era o Museu do Sintetizador — está o André Heidi, o grande pivô dessa parceria; sem ele, este projeto não teria acontecido dessa forma. Foi ele quem nos deu a oportunidade de gravar algumas guias que tínhamos e de mostrar as composições ao vivo pra um dos produtores do Trampolim, o Fábio Barros, e pra um dos engenheiros de áudio, o Elimarky Filho. Aqui entre nós: foi um momento tenso, mas a gente conseguiu manter a calma. Quando terminamos de tocar, eles nos convidaram pra gravar lá. Eu e a Dora estávamos juntos havia alguns meses, já tínhamos a ideia do projeto e algumas músicas — mas receber essa notícia foi de outro mundo. Saímos de lá sem conseguir tirar o sorriso do rosto, dois “tolos” rindo de tudo e sonhando com o mundo.
Das primeiras gravações até agora passou um ano — um ano em que a Ludus e este EP realmente tomaram forma. Fizemos muito do trabalho de forma híbrida: muita conversa por mensagem e alguns encontros no Trampolim. O Fábio Barros é um produtor sensível, interessante e original, com uma maneira única de fazer as coisas acontecerem. Dá pra ouvir o quanto ele se dedicou a essas músicas — a cada bounce que chegava, ele levava a canção pra um lugar que a gente não tinha imaginado, mas que sentia ser exatamente pra onde ela deveria ir. E ainda tem dois Grammys de Engenheiro de Som no currículo. Trabalhar com ele foi um privilégio.
As músicas nasceram naturalmente entre a gente — Luís e Dora têm uma efervescência musical e artística que se completa. A primeira que escrevemos foi Na Beira do Amor; talvez fosse exatamente onde a gente estava. Os primeiros acordes e as primeiras frases vieram na sala de casa, num sofá azul-lilás. A segunda foi Céu Sorrindo, que começou num pôr do sol no costão da Barra da Lagoa, em Florianópolis, quando nos perguntamos que cheiro teria a nota dó. O EP é um retrato da união de dois artistas: todas as músicas são feitas juntas e carregam o olhar de um e do outro.
O sentimento é de muita gratidão. Este é o primeiro EP da Ludus no mundo, e ter feito dessa forma tornou tudo ainda mais especial.
Um grande obrigado ao Trampolim e ao Tori Synth Estúdio pela oportunidade, e ao André Heidi, ao Fábio Barros e ao Elimarky Filho — foi incrível trabalhar com vocês.