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Ludus na estrada - Kefalonia
Dez dias em Kefalonia, ilha grega de segredos e aventuras. Praia interditada, valsinha no penhasco e a descoberta de que ilhéus procuram a própria ilha em todas as outras.
Um tanto de tempo passado até a gente conseguir sentar a bunda na cadeira para escrever sobre tudo que estamos vivendo. Está sendo um processo de reativação de memória intenso, o tempo voa, e em meio a muitos corres, as palavras vão sendo atropeladas pela passagem dele. Mas não vamos desistir dessas escritas, mesmo que demorem a acontecer.
A Kefalonia é uma ilha da Grécia, uma ilha que, sem muito saber sobre, decidimos desbravar de forma única. É uma ilha que sabíamos não ser absurdamente turística e agitada, sendo mais direcionada para casais que buscam uma certa tranquilidade e preços mais acessíveis, sem tanto agito mas com praias e águas igualmente azul-turquesa. E foi bem isso que encontramos, uma ilha cheia de segredos e aventuras. Talvez essas aventuras tenham muito mais a ver com a gente do que com a ilha, mas foi tudo muito recíproco.


Decidimos ficar 10 dias num airbnb bem barato que encontramos localizado ao lado do aeroporto. Não temos muita preciosidade com luxo na hora de escolher acomodações, apenas com uma salubridade e um bom custo-benefício (até porque na maioria dos destinos de curta duração, acabamos passando muito mais tempo fora do hotel/airbnb). Nosso airbnb era meio capenga, pero. Foi um perrengue leve, mas nada que não valesse a pena. Viajar sendo jovem é isso, você vai pagando menos aqui para poder pagar mais ali e dançando nesse balanceio que é até divertido às vezes (às vezes nem tanto).
Decidimos alugar um carro e foi uma decisão absurdamente fundamental para experienciar essa ilha (não recomendamos contar com transporte público). Conseguimos explorar cada cantinho escondido, restaurantes e tavernas tradicionais de famílias locais no topo de montanhas, trilhas insanas até praias remotas e desertas, os principais vilarejos e também as atrações mais conhecidas e turísticas. Acho que realmente zeramos a Kefalonia, por mais prepotente que possa soar essa afirmação.


Por conta de termos nascido e crescido numa ilha, é muito bonito perceber a conexão entre as ilhas do mundo. Viajar para outras ilhas é sempre pensar na nossa, é uma constante troca e absorção. Existe algo que une as ilhas e as pessoas que moram ou nasceram ou cresceram em ilhas. Nós, ilhéus, vamos procurando essas brechas, essas partes da nossa ilha em outras. Vamos achando e perdendo. É gostoso essa sensação, essa relação com a nossa própria casa.
Enfim, diria que os highlights dessa viagem foram:
- O dia que descemos numa praia interditada por deslizamento (uma morreba absurda de pedras sem proteção numa pirambeira altíssima), talvez numa das aventuras mais perigosas da minha vida, para encontrar uma praia paradisíaca só para nós. Nadamos pelados no pôr do sol. Difícil competir com essa sensação, foi muito especial. Me senti viva, talvez exatamente como Deus quis que se sentissem os humanos quando criou a terra. A natureza extravagante e gigantesca me afeta dessa maneira, é um sentimento único estar sozinho com ela.
- A taverna local que encontramos num vilarejo remoto na volta dessa aventura. A comida nem foi o auge, mas a vista e o momento, foram inesquecíveis. Até guardei os guardanapos do restaurante porque eles eram LUDUS.
- As nossas diárias perseguidas de pôr-do-sol, principalmente na que dançamos no alto do penhasco uma valsinha imaginária.
- Mirtos Beach. Um dos hypes da ilha que vale muito a pena. Chegamos super cedo (para os europeus oito da manhã é cedo), e conquistamos a praia. É absurdo a cor da água, a estrutura, e ter tudo aquilo só pra gente por algumas horas foi supremacy.
- Fteri Beach. Foi uma experiência tipo a Lagoinha do Leste, em Floripa. Nesse dia a gente se sentiu um pouco em casa. Só que as praias aqui são bem diferentes. As pedras machucam um pouco o pé no começo, depois começa a parecer uma massagem gostosa.
- O frozen iogurte que comemos em Fiskardo.
- As várias experiências aquáticas (a gente nadava muito, via os animais, os peixes) e as pedras que a gente foi colecionando.


Ah, sei lá, poderia escrever um full guide sobre tudo que fizemos, mas não sei se é bem isso que queremos criar nesse espaço. Se algum leitor se interessar em saber mais, fique à vontade pra nos mandar um e-mail que a gente passa dicas mais específicas. Por hora, acho que falar sobre os momentos é um pouco mais o que queremos fazer. Nessa viagem a gente desenvolveu uma caminhada sonora em praticamente todas as praias que visitamos. Foi bem interessante. É tanto material que estamos produzindo que honestamente haja tempo pra conseguir trabalhar com tudo depois, estamos indo aos poucos e sem muita cobrança, se não a coisa trava. Sabe?


Não sei bem pra quem escrevo, se é que alguém lê o que escrevemos aqui. Ficaria bem feliz em saber que sim, em conhecer os leitores. Existe algo que vocês são curiosos para saber?


A Grécia finalmente chegou ao fim, na hora certa. A gente não tava mais aguentando comer espetinho. Foi tudo muito gostoso, mas, acho que o mais especial de viajar é perceber que muito mais do que pra onde a gente vai ou onde a gente está, a parte que mais importa no final é com quem. E estarmos os dois juntos nessa viagem foi o que tornou tudo que ela é: inesquecível.
Te amo, Luís. Obrigada por sonhar e viver comigo.